segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Introdução - a primeira “grande” viagem

OK, o texto ficou muito grande, é verdade. Para quem gosta “da coisa” sugiro a leitura completa e para os “simpatizantes” uma olhada nas fotos e nos vídeos.

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Antes mesmo de comprar o primeiro barco nossa “atração” por PARATY e ANGRA já era grande. Algo que foi até mencionado no primeiro Post da “Introdução” (descobrindo o MAR) quando falamos dos passeios para Ilha Grande. Aquela região foi um dos fatores decisivos para embarcarmos de vez nessa vida (e é onde pretendemos morar por alguns anos quando nosso barco-casa estiver pronto).

Uma das influências foi o “guia” que a Revista Náutica publica no início do verão, que apresenta ANGRA, PARATY e as ilhas daquela região sob uma ótica irresistível pra quem ama o mar.

Enfim, assim que compramos a lancha no final de 2007 a idéia de se aventurar por aquelas bandas não saia da minha cabeça...

MAS, quem tem alergia a “naufrágios”, na vida e no mar, precisa: SONHAR, PESQUISAR, PLANEJAR, PREPARAR e só depois FAZER. E tudo isso, com o coração!

Pois bem, fizemos essa viagem somente em Fevereiro de 2009.

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Nosso destino envolvia uma travessia mais longa, que compreende navegar do Litoral Norte de SP (região da ILHABELA) até PARATY e ANGRA. Com uma lancha (barco rápido), o tempo de navegação (direto, sem paradas) é de mais ou menos 3 ou 4 horas (em “alta” velocidade).

Começamos a planejar a viagem em 2008. Foram meses e meses de pesquisa, troca de centenas de mensagens com pessoas mais experientes (obrigado aos amigos do Fórum, devo essa principalmente a vocês).

Tínhamos dois “desafios” que nos tiravam o sono: a tal ponta do Joatinga (conhecida por ser uma região de mar agitado e traiçoeiro) e também as lajes e pedras submersas da região onde íamos navegar!!

Pra quem não conhece, vale comentar sobre esses “obstáculos” que existem no fundo do mar e que representam um tremendo risco a navegação: imagine você acertar uma “pedra”, no meio do mar, que fica “escondida” a ponto de não ser vista mas numa profundidade baixa o suficiente pra você “acertar” a parte submersa do seu barco!! Agora imagine acertar essa “pedra submersa” em alta velocidade... será que é motivo pra tomar certos cuidados??

Pra completar, algumas pessoas consideravam nosso barco “muito pequeno” pra empreitada; diziam que o certo a fazer era levar o barco por terra (num caminhão)... mas outros (os mais “ousados”), lembravam que o “casco” do meu barco era “marinheiro” e meu motor muito bom; afirmavam que se eu tomasse os devidos cuidados dava pra fazer essa “travessia” com os riscos bem minimizados --- pois bem, sempre fui mesmo do grupo dos mais ousados --- espero que isso nunca me coloque numa encrenca grande demais da qual eu não consiga sair, mas pra minha sorte eu tenho a Jamille, que é justamente o contrário e acaba “equilibrando” as coisas.

Fizemos a lição de casa: Revisamos toda a lancha (principalmente o motor, rádio, parte elétrica, luzes de navegação e demais ITENS DE SEGURANÇA); testamos tudo durante alguns fins de semana antes da viagem; fizemos antecipadamente contato com alguns pontos de apoio no continente, que nos dariam socorro em caso de problemas durante a travessia (marinas que oferecem serviço de “reboque”); estudamos detalhadamente as “cartas náuticas” e definimos nossa rota (chamada de “derrota” no meio Náutico) --- só nos faltava estudar as condições climáticas (condição do mar, vento e previsão do tempo), o que só poderia ser feito dias antes da viagem.

 

Para facilitar as coisas nossa decisão foi dividir o percurso em dois. Num primeiro dia iríamos de ILHABELA até UBATUBA (Saco da Ribeira), onde a média de tempo de navegação é de 1 hora (para lanchas rápidas). De lá, quando as condições climáticas fossem adequadas, sairíamos para PARATY bem ao amanhecer, momento em que o mar costuma ser mais calmo e os ventos mais brandos.

No mar, se você tem uma boa embarcação, você pode ir pra onde quiser!! Mas NÃO quando quiser... portanto programamos essa aventura nas nossas férias, momento em que poderíamos esperar por uma necessária “janela de tempo bom” para fazer a travessia. E se fosse o caso estávamos dispostos a atrasar o passeio ou até mesmo cancelar no caso do MAR dizer não.

Pois é... as vezes o MAR fala, e fala alto. Mas dessa vez a permissão nos foi concedida!

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Saímos de Caraguatatuba na tarde do dia 28-FEV-2009 com destino a Ubatuba (após enrolar um tempão revisando os últimos detalhes do barco).

Não deu outra, vento e mar na cara. Navegação dura por mais de 1 hora. Chegamos bem na marina que reservamos (no Saco da Ribeira) mas um pouco assustados com as condições do mar, torcendo para se confirmar a previsão do dia seguinte (mar calmo e sem vento). A noite foi mal dormida devido a ansiedade.

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Pouco depois das 5 da manhã do dia 01-MAR-2010 eu estava de pé. Passei no banheiro da marina, acordei a Mille e arrumei rapidamente as coisas para sair o mais cedo possível. Saímos às 6:15 da manhã, ainda tomando um rápido café-da-manhã.

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O mar estava um tapete!! Mas a ansiedade era alta... já estávamos preparados pra pegar um mar chato entre a Ponta Negra e a Ponta do Joatinga.

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Pra nossa sorte, não encontramos mar agitado, nem vento. Fomos presenteados com mar de almirante o tempo todo! Passamos pela “temida” Ponta do Joatinga rápido como um foguete.

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Chegamos em PARATY (Marina Pier 46) em pouco mais de 2 horas de navegação. Desembarcamos e fomos conhecer a marina. Local simples mas com toda a infra-estrutura da qual precisávamos. Pra quem estava acostumado a dormir no barco usando as poitas do Saco da Capela, dormir parado no píer da marina com banheiro, chuveiro com água quente e Internet disponível era como se fosse um hotel 5 estrelas!!!

Uma vez que chegamos (bem) ao nosso destino, a única preocupação era não ter um GPS com “chart plotter” que nos permitiria ver em tempo real as cartas náuticas da região. Nos dias de hoje eu não faria tal viagem sem esse equipamento que na minha opinião é indispensável para navegar em regiões desconhecidas e evitar lajes e pedras submersas. Sabendo da fama da região quanto a esses “obstáculos”, antes de sair para qualquer destino nós consultávamos as cartas náuticas usando principalmente o notebook onde tínhamos as cartas náuticas digitalizadas fornecidas gratuitamente pela Marinha. Também tomávamos o cuidado de perguntar para o pessoal local sobre os “perigos” e dicas da navegação que pretendíamos fazer.

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Já no primeiro dia fomos visitar algumas praias em PARATY. Estávamos cansados devido a travessia e a “tensão” da primeira vez... Fomos somente até a Praia Vermelha e já ficamos impressionados com a beleza do local!


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No dia 03-MAR chegou o Alemão (amigão da Marina Caçula de Caraguatatuba, onde fica nossa lancha) com a namorada e o Sylvio, que também virou amigão nosso. Eles dormiram na pousada ao lado da marina onde estávamos. Passamos o dia em PARATY, mostrando o que tínhamos visto de melhor pra eles e conhecendo novos lugares. Adoramos o Saco da Velha e o Saco do Mamanguá.






Na volta do passeio, navegando em direção a marina, ainda vimos um montão de golfinhos!!

No dia 04-MAR chegou também o Adair e a Lica (pais da Jamille).


Fomos todos (em 7 pessoas) navegando para ILHA GRANDE. Na ponta da ilha encontramos um lugar maravilhoso, não catalogado no “guia” da Revista. Ficamos de boca aberta com a beleza do local. Parece que a ilha preparou aquele local, cenário montado, para recepcionar a gente.






A cada nova praia visitada a reação era a mesma... UAU! Lagoa Verde, Lagoa Azul, Saco do Céu, Abraão...






Ficamos 2 dias na ILHA GRANDE e no último dia ainda fomos conhecer Ilhas Botinas e Praia do Dentista. Sem comentários... Coisa de outro mundo.











Voltamos para PARATY pois o pessoal tinha que retornar ao trabalho, mas nós NÃO.. Como é bom estar de férias!

Os pais da Jamille ainda ficaram 1 dia com a gente. Mostramos as praias de PARATY pra eles. Nesse dia, na Praia Vermelha, após um almoço delicioso e uma dose intensa de “preguiça”, voltamos nadando para o barco para pegar o dinheiro pra pagar o quiosque onde almoçamos.

Levei o barco quase até a areia para a Jamille descer e pagar o quiosque, só que na hora de descer, pela frente do barco, um (grande) susto: Ela, sentada bem na proa do barco, desceu “escorregando” evitando “saltar” direto na areia... mas o biquíni “enroscou” no cunho (gancho usado para amarrar o cabo da âncora) e ela ficou pendurada, pela cintura, com a cabeça e os pés “indo e voltando” como numa gangorra!!!!!!! Segundos depois, após ir e voltar umas 3 ou 4 vezes, parte do biquíni rasgou e ela (tibum), caiu... só um susto... um grande susto... ficou a lição.

No mesmo dia os pais da Jamille voltaram pra São Paulo. Ficamos novamente sozinhos, curtimos mais um pouco de PARATY!

No dia 7-MAR chegou o Fabio e a Kelli, casal de amigos de longa data, praticamente irmãos. Fizemos um passeio em PARATY, jantamos numa pizzaria no centro histórico -- simplesmente uma das melhores pizzas que já comemos -- e já no dia seguinte fomos pra ANGRA.

Fomos direto para Ilhas Botinas, achando que não teria nada melhor que aquilo...



Mas nos enganamos! Após as Ilhas Botinas resolvemos passar na até então desconhecida (pra gente) Ilha de Cataguás.... ficamos assustados.... eita lugar bonito!!!!!!

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Entendi que é inútil tentar “classificar” as belezas daquela região. Lá não existe o local “mais bonito”. Existe cada lugar, cada ilha, cada cantinho; tudo misteriosamente criado, na mais completa harmonia, provavelmente por um capricho de Deus, que dos 7 dias deve ter perdido pelo menos uns 3 dias criando aquela região...










Ficamos mais 4 dias entre ANGRA e ILHA GRANDE.


Retornamos para PARATY no dia 11-MAR. Nossos amigos foram embora, curtimos mais um pouco de PARATY e começamos a nos preparar para a travessia de fim de férias... retorno para CARAGUATATUBA e volta ao trabalho, em São Paulo.

Retornamos no dia 13-MAR, com uma previsão de tempo/mar/vento um pouco pior do que a previsão da ida. A navegação do retorno entre PARATY e UBATUBA não estava tão boa quanto na ida, mas ainda assim podemos considerar que estava bem favorável. Em alguns momentos mantivemos os mesmos 25 nós e em outros tivemos que reduzir um pouco (20-22 nós).


Fim do passeio... mas não sem antes dar uma paradinha em UBATUBA!! Curtimos algumas praias da Ilha Anchieta e retornamos para nossa marina no final da tarde.

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Curtimos PARATY, ANGRA DOS REIS, ILHA GRANDE e arredores durante 2 semanas... dormindo numa lanchinha de 21 pés... férias inesquecíveis!! Essa experiência naquele paraíso mexeu (muito) com a gente.

Grande abraço ;)
Fernando e Jamille Previdi